Segura tua mente
E abstrai tuas frustrações
Tua ira irreversível
Não é a felicidade alheia
Nem a força que te constrói
Reviras tuas tripas
E faz delas coração
Até que superes
O orgulho ferido,
Deliberado e atroz
Ela permeia pela insanidade, segura de si, porém, patética. Desviando do mundo lá fora, exercendo seu egoísmo como uma muralha impenetrável.
Um olhar errante e entristecido se esconde das atenções e sua mente desfragmenta-se a reduzindo a pó. Desvairada e trancada entre quatro paredes, perambulando entre fantasmas tão vivos quanto a verdade pode ser, ela sobrevive.
Todos te amam! Não ajudamos quando precisas, mas sabemos dizer que te amamos. Como são egoístas esses simples humanos. Os que não sofrem são sempre egoístas, empobrecidos espiritualmente. Descobrem feridas abertas e jogam nas caras dos outros como se fosse obrigação deles lhes dar o conforto. Mas, digo uma coisa àqueles que nunca sofreram: vocês irão ruir! Irão implorar para sofrer; irão morrer sem conhecer as veias que levam um verdadeiro ser superior ao triunfo. A vida só é vida quando sangra; quando se recolhe ao desprazer das mais belas coisas; quando enxerga os defeitos nos perfeitos. Você pode ser um daqueles que são amados, já disse que sim. Basta que você sofra quieta. Eles ficam perturbados quando ouvem a verdade. Os calafrios são mudos em suas casas e gritos não ecoam em suas paredes, chamo isso de sociedade. E daí que eles não te aceitem? Você não precisa de outro quando tem a si mesma. Por mais cortante que seja a dor da solidão, ela te ensinará que nem tudo que brilha é ouro para que um dia você se torne a mais preciosa alma que já caminhou na terra. Àqueles que te julgam hão de te adorar porque o martírio é o máximo que todo ser humano pode superar. Aos poucos se encontra a cura, mas nenhuma cura chega sem sacrifícios e perdas. Não quero que a tristeza tome conta de você, quero apenas que seus olhos se abram e aprecie cada cicatriz como um obstáculo quebrado. O valor das grandes coisas está nas pequenas coisas de antigamente.
Há tanto tempo que não chove súplicas sob minhas mãos adornadas de boêmia. Dias e dias que os gritos não cessão aos meus ouvidos, não te reconheço mais, tão triste o som que ecoa às paredes curvas do teu corpo. Esquece-te que estou sempre aqui para que quebres as barreiras do teu orgulho?
Cansei de desesperos de amor, dessa busca infindável em algo que não vemos, apenas sentimos e nos destrói com sua ilusão de que seremos algo maior se tivermos a pessoa certa. Escutava isso quando era uma menininha, educada pela sociedade baseada nos sonhos de garotas: casarão de branco com o véu da Virgem Maria. Uso vários véus que não são dignos dessa promessa, tenho outra concepção de amor, muito diferente do que me ensinaram e do que observo. Mania de inferioridade e loucura estúpida, isso é o que vejo nas pessoas que tanto amam. Livrar-se do orgulho não é amor e sim prisão. Humildade pode ser defeito tanto quanto qualidade. A manipulação é a alma do negócio, escraviza-se um coração em busca de amor próprio, a necessidade de criar alguém à sua imagem e semelhança é obra dos homens, e assim caminhamos com a cultura de um sentimento mal interpretado. Mascaram hipocrisias, medos e irresponsabilidade em paixonites que mais tarde os levarão ao fracasso. O amor que conheço é levar uma alma imunda à luz das letras, dar a mão sem dar o pão, abrir portas sem intenções, adorar pelo simples prazer de sentir-se bem . Ilumine-me se me ama, não quero carinhos fingidos e palavras sem nexo, quero que minha mente cresça e apareça perante os servos apaixonados por corpos que ficarão pútridos. Carne por carne, tenho a minha que idolatro e puno.
Espero que brote deste chão que me deito,
Uma rosa polida e enegrecida
Rebelde e fatídica,
Mas que me punja no peito